AVANTE… Reflexões sobre a mentira

“Ainda é, para mim, um mistério a capacidade egoísta do ser humano de mentir. Não para os outros, mas para ele mesmo… Aqueles que se deixam enganar é um problema deles, aceitar a mentira é uma condição de quem a aceita porque, no fundo, sempre sabemos se estamos sendo enganados. Mas ser o agente da mentira é um tanto quanto instigante… Sim! Instiga a curiosidade de saber como esse cérebro age – ele possui o conceito moral de consciência, ou não? – por isso admiro a psicologia! Entretanto, não cabe a mim julgar comportamentos e atitudes. Estou aqui para viver, e vivo cada instante intensamente com muito sentimento. Certa ocasião, limpando antigos arquivos, encontrei uma carta, um singelo poema que eu havia escrito e que nunca foi entregue ao destinatário. Por que? Porque o conteúdo da carta era verdadeiro mas não o que a inspirou… Isso acontece todos os dias e alguém sempre vai passar por isso, de uma forma ou de outra… A vida nos entrega o que lhe oferecemos… Assim, o conceito de karma se aplica serenamente. Se as pessoas parassem um pouco mais para pensar antes de agir, viveríamos em um mundo muito melhor!!
Se todas as histórias que vivemos tivessem final feliz, não teríamos histórias para contar…
Se todas as histórias fossem histórias de amor, não conheceríamos a dor e, por conseguinte, também não conheceríamos o próprio amor!!
Sem o contraste não há como definir sentimentos ou pior, não há como senti-los! Sem ter comparações nos abstemos de definições. E sem tudo isso, voltamos ao príncipio acéfalo da existência onde somente o instinto de sobrevivência é o que domina.
A efemeridade da nossa existência se constrói na efemeridades dos sentimentos que criamos por uma necessidade social. Necessidade essa que surgiu a partir de um crescimento demográfico disparatado onde, ou se estabelecem regras e conceitos de convivência – religião, fidelidade, casamento, etc – ou seremos apenas bestas se consumindo, animais assustadores porque somos capazes de planejar a execução do outro.
Como este comportamento existe e é intrínseco aos seres humanos, por isso temos os loucos, os desajustados, os psicopatas, os mentirosos… Na verdade, eles nada mais são do que o instinto doentio – doentio para nós que o classificamos e aceitamos essa nomenclatura como imposição de um comportamento “atípico” social – aflorado acima dos comportamentos sociais impostos.
Não estudo psquiatria nem os mistérios da mente humana, sou curiosa e acredito que grande parte dos estados de demência nada mais são do que os conflitos da mente entre o que temos arraigado – o instinto – e o que nos é imposto. É o mesmo princípio que pode ser aplicado aos sentimentos – qualquer sentimento. O amor, a ira, o ódio, nada disso existe concretamente. Mas sentimos. Como sentir o que não existe? O ser humano precisa de respostas para tudo para conter o seu príncipio animal, para não ser considerado um louco… Manter o controle te faz uma pessoa civilizada – outro conceito social imposto. Então devemos sentir algo, de maneira comedida, de modo que possamos fazer do que sentimos um gatilho que nos impulsiona a manter a vida. Dessa forma, geramos ambições diversas – outro conceito social! – para mantermos a nossa própria vida e gerarmos novas vidas. É uma transferência do conceito de sobrevivência – antes era o mais forte, agora é o mais esperto.
E se tudo é conceito social imposto como forma de moderar o comportamento humando e gerir a convivência, o que é realmente existencial?”
 
TO BE CONTINUED… Priscila Oliete

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